








|
|
CAATINGA
INTRUDUÇÃO
O bioma Caatinga é o principal ecossistema existente na Região Nordeste,
ocupa mais de 75% de sua área, estendendo-se pelo domínio de climas
semi-áridos, numa área de 80.000.000 ha, 6,84% do território nacional:
ocupa os estados da Bahia, Ceará, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do
Norte, Paraíba, Sergipe, Alagoas, Maranhão e o norte de Minas Gerais.
Segundo o Censo 2000, cerca de 27 milhões de brasileiros vivem na região
coberta pela Caatinga, em quase 800 mil km² de área. A irregularidade
climática é um dos fatores que mais interferem na vida do sertanejo.
O termo Caatinga é originário do tupi-guarani e
significa “mata branca”.
FLORA
A Caatinga apresenta três estratos: arbóreo ( 8 a 12 metros ), arbustivo
( 2 a 5 metros ) e o herbáceo ( abaixo de 2 metros ). A vegetação
adaptou-se ao clima seco para se proteger. As folhas, por exemplo, são
finas ou inexistentes. Algumas plantas armazenam água, como os cactos,
outras se caracterizam por terem raízes praticamente na superfície do
solo para absorver o máximo de chuva.
A Caatinga é dominada por tipos de vegetação com características
xerofíticas – formações vegetais secas, que compõem uma paisagem cálida
e espinhosa – com estratos compostos por gramíneas, arbustos e árvores
de porte baixo ou médio ( 3 a 7 metros de altura ), caducifólias (
folhas que caem ), com grande quantidade de plantas espinhosas (
exemplo: leguminosas ), entremeadas de outras espécies como as cactáceas
e as bromeliáceas.
Algumas plantas têm as folhas muito finas. Os espinhos dos cactos são o
estremo deste tipo de folha. Outras têm sistema de armazenamento de
água, como as barrigudas. Às vezes cobrem a superfície do solo, para
capturar o máximo de água durante as chuvas leves. As espécies mais
abundantes incluem a palma, palminha, quipá, mandacaru, xique-xique,
coroa de frade, macambira, jurema, umbu, emburana, maniçoba, mimosa,
catingueira, marmeleiro, canafístula, pata-de-vaca, perero, quixabeira,
favela de galinha, burra leiteira, barriguda, mulungu, anjico, baraúna,
aroeira e o juazeiro, uma das poucas que não perdem suas folhas durante
a seca.
A Caatinga, conta com 318 espécies de plantas endêmicas, ou seja, que
não são encontradas em outros ecossistemas. O número – quase o dobro
citado no último levantamento do tipo, há dez anos – é uma das
informações contidas no livro Vegetação e Flora da Caatinga que foi
lançado em agosto de 2002, durante o qüinquagésimo terceiro Congresso
Nacional de Botânica, no centro de convenções, em Olinda - Pernambuco.
As plantas endêmicas pertencem a 18 gêneros de 42 famílias botânicas
distintas. A família mais bem representada na lista é a das leguminosas,
com 80 plantas. Em seguida está a das cactáceas, com 41 espécies. Entre
as cactáceas endêmicas estão o mandacaru ( Cereus Jamacaru ) e a coroa
de frade (Melocáctus Oreas).
FAUNA
As espécies da Caatinga somam mais de 4.230. A biodiversidade da
Caatinga, no entanto, é a menos conhecida no um mundo. Levantamentos
sobre a fauna do domínio da Caatinga revelam a existência de 41 espécies
de lagartos, 7 espécies de anfibenídeos (espécies de lagartos sem pés),
45 espécies de serpentes, 4 de quelônios, uma de Crocodylia, 44 anfíbios
anuros e uma de Gymnophiona.
Os níveis de endemismo também surpreenderam os pesquisadores. Das 48
espécies de lagartos e cobras-de-duas-cabeças (anfisbenas), 16 são
somente encontradas na Caatinga. Isso equivale a um índice de quase 40%
de endemismo. Reunindo anfíbios e répteis, o índice é de 15%. Há 148
mamíferos registrados para a Caatinga, 10 são endêmicos. O endemismo
mais surpreendente, no entanto, é o dos peixes. A maioria é exclusiva da
região.
Entre as aves, o índice de endemismo é menor. Das 348 espécies
registradas apenas 15 são endêmicas. Em compensação, a Caatinga abriga
20 em risco de extinção, das quais duas estão entre as aves ameaçadas do
mundo, a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) e a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus
leari). A primeira é exclusiva de Curaçá, na Bahia. A segunda, do Raso
da Catarina, no mesmo estado.
COMENTÁRIOS SOBRE A SECA
O aspecto agressivo da vegetação contrasta com o colorido diversificado
das flores emergentes no período das chuvas, cujo índice pluviométrico
varia entre 300 e 800 milímetros anualmente. Quando chega o mês de
agosto, parece que a natureza morreu. Não se vêem nuvens no céu, a
umidade do ar é mínima, a água chega a evaporar 7mm por dia e a
temperatura do solo pode atingir 60°C. As folhas da maioria das árvores
já caíram e assim, o gado e os animais nativos, como a ema, o preá, o
mocó e o camaleão, começam a emagrecer. As únicas cores vivas estão nas
flores douradas do cajueiro, nos cactus e juazeiros. A maioria dos rios
pára de correr e as lagoas começam a secar. A ocorrência de secas
estacionais e periódicas (a estiagem pode durar de sete a nove meses)
estabelece regimes intermitentes aos rios e deixa a vegetação sem
folhas. Pequenos ramos finos, casca fina, cor esbranquiçada, deixam o
sol bater forte no solo. As folhas que caem são consumidas pelo calor
sem formar manta florestal. O solo, de tonalidade clara, fica
desprotegido e trinca, racha. As secas são cíclicas e prolongadas,
interferindo na maneira decisiva na vida do sertanejo – nome pelo qual é
conhecido o típico habitante da Caatinga. Elas prejudicam bastante a
produção agrícola e a pecuária, as bases da economia local.
Mesmo quando chove, o solo pedregoso não consegue armazenar a água que
cai e a temperatura elevada (médias entre 25°C e 29°C) provoca intensa
evaporação. Na longa estiagem os sertões são, muitas vezes, semidesertos
que, apesar do tempo nublado, não costumam receber chuva. A folhagem das
plantas volta a brotar e fica verde nos curtos períodos de chuva (o
inverno é uma estação de chuva irregular. Três a cinco meses de verde,
ás vezes inundação). A paisagem muda muito rapidamente. As árvores
cobrem-se de folhas e o solo fica forrado de pequenas plantas. A fauna
volta a engordar.
BREJO DE ALTITUDE
No meio de tanta aridez, a Caatinga surpreendente com suas “ilhas de
umidade” e solos férteis. São os chamados brejos de altitude, que
quebram a monotonia das condições físicas e geológicas dos sertões.
Nessas ilhas é possível produzir quase todo os alimentos e frutas
peculiares aos trópicos do mundo. Essas áreas normalmente localizam-se
próximo ás serras, onde o volume pluviométrico é maior.
OCUPAÇÃO DA CAATINGA
A Caatinga tem sido ocupada desde os tempos do Brasil-Colônia com o
regime de sesmarias e sistemas de capitanias hereditárias, por meios de
doações de terra, criando-se condições para a concentração fundiária. A
extração de madeira, a monocultura de cana-de-açúcar e a pecuária nas
grandes propriedades (latifúndios) deram origem á exploração econômica.
Na região da Caatinga, ainda é praticada a agricultura de sequeiro.
DEGRADAÇÃO
Os ecossistemas do bioma Caatinga encontram-se bastantes alterados, com
a substituição de espécies vegetais nativas por cultivos e pastagens. O
desmatamento e as queimadas são ainda práticas comuns no preparo da
terra para a agropecuária que, além de destruir a cobertura vegetal,
prejudica a manutenção de populações da fauna silvestre, e a qualidade
da água, e o equilíbrio do clima e do solo. Aproximadamente 80% dos
ecossistemas originais já foram modificados por ação antrópica.
AÇÕES PARA PROTEÇÃO
A indicação das áreas prioritárias para a conservação da Caatinga faz
parte do cumprimento das obrigações brasileiras na Conservação da
Biodiversidade, um dos documentos resultantes da Rio-92.
O ecossistema foi o último a ser mapeado com esse objetivo. Antes
passaram pelo mesmo processo o Cerrado e Pantanal, a Mata Atlântica e os
campos sulinos, os ambientes costeiros e a Amazônia.
CONCLUSÃO
A Caatinga não é um ecossistema pobre em diversidade, como se pensava
até mesmo no meio acadêmico. É sim, o menos estudado, o menos protegido
e um dos mais degradados. E também o único exclusivamente brasileiro.
Pesquisa: Guaraci Cardoso
Digitação: Ana Jéssica Cardoso
Fotografias: Keize Lorrane
Bibliografia: “Diagnóstico para o bioma
Caatinga”, “Vegetação e Flora da Caatinga”, “Ecologia e Conservação da
Caatinga“, “Atlas da Biodiversidade”, conhecimentos locais e outros
fragmentos de pesquisa.
|